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CURIOSIDADES
DA ILHA
Uma
cidade com mais de 450 anos, tem muitas histórias para contar...
Panelas de Barro
A
panela de barro é, sem dúvida, uma das maiores expressões
da cultura popular do Espírito Santo. Desde a sua origem – nas
tribos indígenas que habitaram o litoral do Estado – até
os dias de hoje, a técnica de sua confecção e a estrutura
social das artesãs pouco mudou. O trabalho artesanal das paneleiras sempre
garantiu a sobrevivência econômica de seus familiares, como também
de suas tradições. A região de Goiabeiras, ao norte da
Ilha de Vitória, sempre foi o local tradicional da produção
de panelas de barro. No início, o trabalho era de cunho familiar e as
panelas eram feitas nos quintais das casas das paneleiras. Recentemente, com
a criação da Associação das Paneleiras e ações
da Prefeitura de Vitória e outras entidades, foi construído um
galpão onde concentra-se toda a produção.
As panelas de barro constituem o principal elemento cultural na elaboração de pratos típicos da culinária capixaba. A moqueca capixaba, a moqueca de garoupa salgada com banana-da-terra e a torta capixaba têm de ser feitas em panela de barro, para serem autênticas. A produção é constante e todas as peças produzidas são vendidas aos turistas e à população da Grande Vitória. As vendas são feitas diretamente no galpão da Associação das Paneleiras e nas lojas de artesanato.
Moqueca Capixaba
O peixe pode
ser badejo, robalo, dentão, papa- terra, namorado ou xerne. Com um quilo
e meio de peixe, mais três dentes de alho, quatro tomates, pimenta-malagueta,
três limões, azeite de oliva, urucum, óleo de soja e sal
fino a gosto, está garantida a moqueca que servirá ao apetite
de seis pessoas. Lave as postas com limão, coloque para descansar em
água de sal, prepare o tempero. Arrume as postas, não colocando
uma sobre a outra. Adicione o tempero, deixe em fogo forte de 20 a 25 minutos.
Não mexa nem ponha água, senão vira peixada. Moqueca é
Capixaba!
Desfiaderas de Siri
O siri, crustáceo primo do caranguejo, é pescado com jereré ou puçá, ambos se parecem com rede de caçar borboletas, sendo o jereré ou puçá que leva a isca; a pesca sem isca é geralmente feita à noite, à luz de lampiões.
Os siris infestam as vazantes das marés. Depois de pescados são cozidos. Em seguida, a carne é desfiada manualmente, servindo para o preparo de frigideiras ou da tradicional casquinha de siri. As Desfiadeiras de Siri da Ilha das Caieiras, assim como as Paneleiras de Goiabeiras, ocupam atividade artesanal de destaque na composição da cultura popular de Vitória.
Torta Capixaba
Tradicionalmente,
a torta capixaba é servida na Semana Santa, período em que os
católicos fazem abstinência de carne. A torta é preparada
com ínumeros mariscos: siris, caranguejos, camarões, sururus,
mexilhões e ostras. No tempero, o alho e a cebola, sendo bem- vindo o
azeite doce. E não pode faltar palmito, que é a massa da torta,
junto com um pouco de peixe salgado para dar liga (geralmente bacalhau). A torta
é coberta com ovos, rodelas de cebola e azeitonas, saindo do forno coradinha.
O mercado de palmito, na véspera da Sexta-Feira Santa, é um formigueiro
provocado pela apetitosa fé dos capixabas. E Deus não perdoa católico
que visitando o Espirito Santo, não prove do sagrado paladar da torta.
Caranguejada
Em Vitoria, dizem que "bravo é o caranguejo, que só entra na cidade amarrado", uma referencia á busca a fugitivos, índios e escravos e seus descendentes, que depois de muita pernada e muita luta, eram conduzidos amarrados às cadeias públicas. Amarrados em cordas, é assim que são postos à venda os caranguejos, depois de catados à mão nos mangues. A técnica de catar o crustáceo é a mesma que já utilizavam os indígenas, fartos comedores de caranguejo - vai-se com lama até os joelhos e recolhe–se os caranguejos no tato e no jeito, para que os dedos não sejam aferroados pelas puãs. Depois da chegada à cidade, a entrada na panela: desatados dos nós que prendem dúzia ou meia, ainda vivos são afogados em água fervendo. Tampa-se a panela com reforço de um peso, tempera–se com sal, e tome cozinhada. A caranguejada é prato muito apreciado pelos capixabas, para longas conversas sem fio nem fiança.
Congo
Notícias
a respeito das antigas bandas de congos, podem ser colhidas, desde o século
XIX, nos livros e apontamentos de visitantes que passaram pelo Espírito
Santo ou nos jornais que, à época, circulavam em Vitória.
A primeira referência impressa está no livro do Pe. Antunes Siqueira,
Esboço Histórico dos Costumes do Povo Espírito-Santense,
que faz menção a uma das primitivas bandas de congo, integrada
por índios mutuns (do Rio Doce), que dançavam em círculo
e usavam instrumental que, mutatis mutandis, ainda se usa nas atuais: “os
cossacos - um bambu dentado, corrida a escala por um ponteiro da mesma espécie,
e tambores feitos de um pau cavado, tendo em uma das extremidades um couro pregado”
e prossegue: “ A eles juntam o som produzido por um cabaz, cheio de caroços
ou sementes do mato”.
Francois Biard, um viajante francês, em 1858 descreve em seu livro, Deux
Années au Brésil, um encontro com indígenas, por ocasião
da festa de São Benedito: - “à frente o capitão,
com bastão enfeitado; depois o portador da imagem do Santo; as velhas
devotas que dançavam em torno da imagem e, por fim, os músicos
e instrumentos: uns batendo tambor, pequeno tronco de árvore, oco, coberta
uma das extremidades por um pedaço de pele de boi, e outros rascando,
com um pequeno bastão, um instrumento feito dum pedaço de bambu
denteado de alto a baixo”.
O próprio imperador D. Pedro II, quando em visita a Nova Almeida, em
1860, registrou dados sobre um conjunto musical e desenhou o nosso reco-reco
de cabeça esculpida anotando-lhe o nome: “cassaca”.
Nos
apontamentos de D. Pedro Maria de Lacerda, Bispo do Rio de Janeiro, há
registros de que ele pôs-se em contato com um conjunto musical formado
por indígenas. Destes se lê, com data de 18 de agosto de 1880,
o trecho referente à Freguesia dos Santos Reis Magos da Vila Nova de
Almeida: - “Os Índios, desde que cheguei à porta da Matriz,
em número de seis, com seu capitão à frente, estavam à
porta da Igreja a bater seus guararás (tambores), a esfregarem seus cassacos
(paus dentados) e a agitar seu manacá (chocalho) e a soltar monótonas
e lúgubres vozes sem modulação”. Depois descreve
os figurantes do conjunto: “O capitão estava de calças brancas,
sobrecasaca cor de rapé, velha, com dragonas de retrós amarelo,
e chapéu mal ornado, tendo na mão sua varinha com fitas, e era
ele que dançava compassadamente e com graça, a seu modo; os mais
estavam vestidos com suas jaquetas e sem sapatos, e só tocavam seus instrumentos
de sons surdos ”. O Bispo escreveu a respeito do Capitão, e explica:
“Um Capitão dos Índios hoje é apenas um nome, como
do Imperador do Divino e Rei de Congado. Para as danças, ele é
o Presidente.”
O Bispo visitante fez algumas observações mais minuciosas: “Depois
do jantar, o Capitão dos Índios veio à frente da casa,
com alguns (...) índios, e também um negro velho, a tocarem seus
instrumentos e a soltarem seu monótono e tristonho canto (...)".
A seguir, observador, anota a maneira de conduzir e tocar os tambores: “É
de saber que os tocadores de guarará (pequeno tambor cilíndrico),
quando vêm, os trazem debaixo do braço, e quando param, montam-se
sobre ele e com ambas as mãos batem no couro de uma das bocas”.
E prossegue: “Os mais ficam em pé. Adiante do tambor é que
se dança, uma dança que é simplíssima, mas tem sua
graça, é muito modesta e decente, consiste em algumas piruetas,
sem saltos, elevação do pé estendido, alguns cruzamentos
de pernas e sapateados; o capitão, esse tem na mão a vara, que
ele empunha com muito garbo, como um capitão a marchar com espada em
punho.”
Registrou também o fenômeno da aculturação ou empréstimo,
com a ingerência do negro na dança ameríndia: “Outros
dançaram, mas a dança não foi puramente índica,
mas já com mistura de dança de negros, com mais animação,
alguns saltos, mais cruzamentos de pernas, que também às vezes
separavam e logo uniam, e que outras vezes arqueavam. Essa intromissão
do elemento negro no folguedo ameríndio é que deu agitação
e vida ao conjunto musical". É interessante a observação
de D. Pedro Maria de Lacerda fixando, em 1880, intercâmbio, empréstimo
e aculturação entre os folclores negro e brasilíndio.
O sociólogo brasileiro Gilberto Freyre confronta as danças dos
negros com as dos índios, salientando naqueles a espontaneidade de emoção
exprimidas em contraste com o ritual compassado das cerimônias indígenas.
Todos ou quase todos os documentos dirão da presença de índios
e negros nas antigas bandas de congo, o mais típico e curioso conjunto
musical do folclore capixaba.
Com o tempo, as bandas foram alterando seus aspectos indígenas, desaparecendo
o nome guarará, substituído por congo ou tambor, passando, por
isso, o conjunto a ser denominado banda de congo, expressão que lembra
melhor a velha África. Desapareceu também o termo manacá
ou massaraca (chocalho). Ajuntou-se ao instrumental a cuíca, de origem
africana, manteve-se porém o cassaco ou cassaca, casaca, ou por contaminação,
canzaco, evidente influência de canzá ou ganzá, termo quimbundo,
segundo alguns entendidos em línguas africanas. Acrescentem-se a isso
as peculiares danças dos negros e mais as toadas, onde se encaixam aqui
e ali, termos e expressões africanas. As canções fazem
referências à escravidão, entoadas dentro de ritmo negro,
quente e sensual.
A casaca é o mais peculiar instrumento das bandas de congos e a designação
que se dá ao músico que toca este instrumento é casaqueiro,
casaquista, conguista, ou folgador, entre outras.
Em Vitória, o congo foi incorporado à vivência das colônias
de pescadores e os principais instrumentos utilizados são: o tambor de
congo, bumbo ou caixa, a casaca ou reco-reco, a cuíca, o chocalho, o
triângulo e o apito, que o capitão, também conhecido por
mestre, utiliza para iniciar ou terminar as cantigas e marcar o ritmo das toadas.
As canções ou toadas contam a história do negro capixaba
e homenageiam o santo padroeiro - São Benedito e também N. Sª
da Penha. São também temas destas canções o mar,
o amor e, às vezes, a morte.
O grupo é composto por homens e mulheres de todas as idades e uma senhora,
usando uma faixa, representa a rainha do congo. A bandeira ou estandarte de
São Benedito está sempre presente e é conduzida por um
dos integrantes. Os grupos são formados em família, cujas tradições
passam de pai para filho.
Casaca
É instrumento de distinta tradição no Congo, é o mais nobre dos reco–recos.
Tem origem indígena, mede de 50cm a 70cm, entre a cabeça e o corpo, quase sempre cilíndrico. A cabeça e de madeira, nela esculpindo–se um rosto, e se encaixa no corpo o bambu transversalmente talhado. O bambu veste o corpo de madeira, e é no pescoço que o instrumentista firma uma das mãos, enquanto a outra aciona a vareta, atritando-a nos talhos transversais. Há modelos de casaca em que na parte inferior há alargamento em leque da vestimenta. A cabeça é pintada, com especial atenção para os olhos, onde, por vezes, são incrustados tentos ou esferas de chumbo.
Bandas
de Congo de Vitória:
Banda de Congo Amores da Lua
Banda de Congo Mirim Estrelinha
Banda de Congo Panela de Barro
Banda de Congo Mirim da Ilha
Grupo Folclórico Guaananira (dos Correios)
Grupo Folclórico Boi Estrela